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14/02/2014

O Rapaz fala de: Homem Bala




Se já sou um confesso admirador das mais variadas proezas e habilidades circenses, existe uma que por si só faz as delícias de quem é fã de adrenalina e de sentir aquele nervoso miudinho, devido ao risco que correm os corajosos indíviduos que a estas actividades se submetem. Falo-te do fantástico, e por cá raro, número do Homem Bala! “Então mas tu não falas só de música, porque é que agora te metes a dissertar sobre circo?”, perguntas tu. Tudo isto tem uma plausível e entusiasmante explicação: A música portuguesa tem agora uma banda (de fantástico talento, diga-se) que pega exactamente nesse conceito e faz dele a sua identidade musical. Qual o o seu nome? “Homem Bala”, pois claro. É sobre eles que te falo agora.

  Este Homem Bala, ou melhor, estes Homem Bala, lançaram o seu disco homónimo de estreia no passado dia 10 de Fevereiro (para escutar e adquirir, aqui)e têm no rock o grande impulsionador e a fulcral fonte de energia para um “disparo de canhão” (que é como quem diz carreira musical) que desejam (e promete ser) proveitoso e duradouro. Na cidade de Lisboa, a banda busca a sua fonte de inspiração para as 8 faixas que compõem o este disco com o qual se estreiam (a canção “Atalaia” é talvez a perfeita demonstração disso mesmo), inspiração essa que culmina numa sonoridade bastante característica e pautada pelos ritmos frenéticos e guitarras tão melódicas quanto agressivas, quando o momento assim o pede.

  O rock funciona como catalisador de um som que por si só se define como explosivo, e é por entre as diversas variantes deste estilo musical (pop rock, stoner rock e uma pitada de piscadelismo) que a musicalidade dos Homem Bala deambula e faz deambular quem escuta, fazendo deste disco de estreia um registo fantástico de uma banda tão jovem quanto promissora. É por entre a poderosa canção instrumental “Viagem”, o refrões “catchy” de “O Baile” e “Homem Velho”, os viciantes riffs presentes em “Menina”, “Ladrão” e “Homem Bala” (a canção que fecha o álbum), e a entusiasmante métrica de “Pernas para o Ar”, que os Homem Bala se apresentam. Cientes do conceito e da mensagem que querem transmitir, André Cumbre, Hugo Hugon, João Ribeiro e Vasco Rato, demonstram uma maturidade musical bastante acima da média para quem ainda agora se lançou, sem medos(ou não fossem eles os Homem Bala) numa carreira musical que se prevê recheada de sucessos.


  O Homem Bala foi lançado, e agora quem é que o agarra? É ouvir, e estar muito atento a estes rapazes! Deixo-te com um dos singles do disco, e uma das minhas músicas preferidas desta banda que tão bem emprega o nome de um stuntman bem português.



28/12/2013

O Rapaz escolhe: 10 Fantásticos Álbuns de 2013 (Subvalorizados de Alto Calibre)


Decidi elaborar também uma lista de álbuns que considero, de certa forma, que passaram um pouco despercebidos neste ano editorial que agora termina. Não pela sua falta de qualidade (isso é que coisa que abunda nesta dezena de discos), mas sim pelo facto de ainda não assumirem um estatuto de grande destaque no panorama musical. E que melhor local para o fazer do que nesta rubrica de “Subvalorizados de Alto Calibre”? No fundo, é até uma boa desculpa para te falar de mais discos que ouvi repetidas vezes neste ano!

“The Golden Age” – Woodkid

O projecto do francês Yoann Lemoine foi sem dúvida uma das maiores surpresas deste ano de 2013. “The Golden Age”, álbum de estreia, projecta-nos para um empolgante ambiente cinematográfico pautado pelos fortes e viciantes ritmos percussivos, que rapidamente elevaram Woodkid ao patamar de protagonista dos projectos que este ano se mostraram (de forma mais afirmativa) ao público. Muito se espera de Woodkid.

“Paracosm” – Washed Out

Este “Paracosm”, é a banda sonora perfeita para aqueles sonhos que desejas que nunca tenham fim. Uma sonoridade suave e hipnótica, acompanhada por uma voz que aparenta ser quase monocórdica e pouco variável, são elementos que contribuem para uma rápida inclusão neste universo chillwave concebido por Ernest Green. “Sensaborão” dirão alguns, “cala-te, ouve e relaxa” digo-te eu.


“Loud City Song” – Julia Holter

Julia Holter tem uma daquelas vozes sedutoras, que podíamos escutar horas a fio sem demonstrar o mínimo sinal de aborrecimento. E quando a uma característica inata se junta uma noção musical tão apurada e definida, o resultado só poderia ser algo da qualidade de “Loud City Song”. O fenómeno musical próximo das suas raízes e simplicidade, faz-nos desejar que estes 45 minutos de duração nunca cheguem ao fim.


“Mala” – Devendra Banhart

Devendra Banhart, artista hispano-americano, é alguém que já nos tem vindo a habituar a fantásticos discos, que acabam sempre por figurar nas listas de melhores dos anos em que são editados. É por isso, para mim, um artista que se encaixa na perfeição na categoria que dá nome a esta rubrica: um verdadeiro “Subvalorizado de Alto Calibre”. “Mala”, é mais um motivo para que seja assim considerado. Um disco marcado por um já habitual folk de sorriso nos lábios, onde o bom humor do músico se deixa transparecer ao longo das 14 músicas que compõem o álbum.


“Fuzz” – Fuzz

Quando uma banda se forma em Janeiro e em Setembro decide logo lançar o seu álbum de estreia, existem dois possíveis resultados: um desastre total, ou um algo parecido com este “Fuzz”. Passo a explicar. Este álbum é nada mais nada menos do que o resultado de um grupo músicos extremamente talentosos (ou não fosse este um dos projectos de Ty Segall, que se assume na formação dos Fuzz como baterista/vocalista) que têm uma incontrolável vontade de tocar rock como se não houvesse amanhã. É essa a essência do disco, a despreocupação com o correcto, e a valorização daquilo que de melhor pode trazer o garage rock: a naturalidade com que se faz música.


“Corsicana Lemonade” – White Denim

Eu sei, já é a 3ª vez que falo destes rapazes aqui no blog. Mas verdade seja dita, não faria sentido fazer uma lista de “melhores do ano” sem incluir o trabalho deles. Quase tudo o que disse sobre a sonoridade dos Fuzz, podia perfeitamente aplicar-se a estes White Denim. Mais uma vez (na linha do que tinha acontecido com “D”),“Corsicana Lemonade” revela os brilhantes executantes que são os integrantes da banda, capazes de “agarrar” qualquer um às fantásticas sequências instrumentais presentes na maioria das faixas.


“Walking on a Pretty Daze” – Kurt Vile

Kurt Vile faz-me lembrar aquele tipo de “gajo” que anda sempre de cigarro na boca e de guitarra às costas. E o que me traz essa imagem à cabeça, é a tremenda descontração e naturalidade com que o seu talento se revela em cada trabalho que nos dá a conhecer, e neste “Walking on a Pretty Daze” a situação repete-se. Músico de voz despreocupada, é essencialmente nas suas capacidades enquanto guitarrista e letrista que assentam as grandes virtudes da sua sonoridade indie rock de temáticas grunge.


“Slow Focus” – Fuck Buttons
Lembras-te de há uns anos atrás andar muito em voga falar daquela coisa das drogas virtuais/sonoras? iDrugs, acho que era isso. Pronto, este álbum é exactamente isso mas numa boa versão melódica, e sem o risco de nos causar hemorragias cerebrais ou algo desse género. 52 minutos de uma estranha e nada convencional viagem electrónica/alienígena que me deixou absolutamente rendido a este “Slow Focus”.



“Our Own Masters” – Valient Thorr

Falando em alienígenas e fenómenos de outro planeta (literalmente), chega a altura ideal para introduzir nesta quase finalizada lista, o “Our Own Masters” dos venusianos (eu disse, literalmente) Valient Thorr. A banda de metal que tem como seu porta-voz/profeta musical o icónico e poderoso Valient Himself, prefigura-se uma vez mais com este disco como uma das melhores bandas dentro do seu género e uma das mais entusiasmantes formações para ver, ouvir e sentir ao vivo. E se nos instrumentos têm uma inesgotável fonte de poder e destruição, as mensagens que as letras transmitem são simpáticos e necessários conselhos vindos de seres de Vénus que querem fazer do planeta Terra um lugar melhor. Escuta terráqueo!



“Sunbather” – Deafheaven

Confesso que geralmente sofro de uma certa “alergia audtiva” a tudo o que sejam screamos. Não costumam ser, de todo, um som que aprecie. E é por esse motivo que considero que este disco dos Deafheaven tenha sido o que mais me surpreendeu neste ano editorial de 2013. Numa perfeita simbiose e equilíbrio entre o portentoso intrumental da bateria e guitarras(que se revelam bastante mais melódicas e perceptíveis do que seria de esperar de uma banda que se categoriza como sendo de “Black Metal”) e a voz em constante esforço de George Clarke (que aparece para incutir mais poder e “corpo” ao instrumental, e desaparece quando os momentos são de maior calma) culminam numa belíssima sonoridade que a mim me deixou absolutamente fascinado.

E pronto, aqui ficam mais uns quantos bons álbuns que este ano se fartaram de rodar aqui por casa (e nos dispositivos móveis que suportam ficheiros mp3, claro). E assim termina 2013 para esta rubrica. Que 2014 nos traga mais “Alto Calibre” e menos “Subvalorizados”!

25/09/2013

O Rapaz fala de: Matt Corby




  Neste post sobre mais um talento musical bastante subvalorizado, levo-te numa visita até à Austrália, terra dos amáveis cangurus e destino mais do que apetecido por qualquer surfista. Mas como provavelmente deves supor, não é por esses motivos que te estou a transportar (ficticiamente, não quero mal entendidos) até lá. É que nesse país, mora um simpático rapaz dotado de um invejável talento musical, de seu nome Matt Corby. Nunca ouviste falar? É para isso que eu sirvo.

  Matthew John Corby, é este o nome completo do impressionante músico australiano cujo trabalho tenho vindo a acompanhar, e que por muitas vezes que oiça (e acredita, são bastantes) fico absolutamente extasiado. O assombroso poder vocal deste jovem de apenas 22 anos, é constantemente comparado a uma das mais arrepiantes vozes da história da música: Jeff Buckley. Exagero? Nem lá perto. “Se a sua voz fosse tecido, seria a mais pura seda”, é uma descrição que certo dia li e que assenta aqui que nem uma luva.

  Mas nem só da sua magnífica voz se faz a música de Matt Corby. A este já por isso louvável dom, Corby alia uma competente capacidade de tocar piano e guitarra e a uma não menos impressionante capacidade de idealizar e executar letras capazes de arrepiar qualquer ser vivo. É o exemplo de um músico sem qualquer tipo de falhas, e que mesmo assim promete evoluir e presentear-nos com o seu primeiro álbum. Até à data, Matt Corby conta “apenas” no seu currículo com 5 EP’s, sendo estes: “Song For..”(2009); “My False” (2010); “Transition to Colour” (2010); “Into the Flame” (2011), o qual tive a oportunidade de aquirir a troco de uns muito bem empregues 6 euros, no final de um memorável concerto dado por Corby em Dezembro do ano passado no Santiago Alquimista; e o mais recente “Resolution” (2013). É esta a (por agora) curta carreira de um jovem que cada vez mais merece mais atenção e reconhecimento, uma verdadeira pérola da música actual.

  Depois de uma descrição que espero que te tenha deixado com “água na boca” para explorar o trabalho deste talentoso músico, nada melhor do que finalmente ouvir. Pele de galinha em 3,2,1…




04/09/2013

O Rapaz fala de: O Bisonte





  Vamos lá pôr essa imaginação a trabalhar. Pensa num quadrúpede corpulento, possante e dotado de uma energia inesgotável (vá, eu dou-te esta de avanço: um bisonte adequa-se na perfeição) a mover-se a uma velocidade frenética e alucinante numa qualquer planície, tendo apenas como objectivo mostrar toda a sua imponência. Já está? Boa, tenta agora transformar essa imagem em som, tenta imaginar a banda sonora correspondente ao que previamente visualizaste. Absurdo? Descabido? Então precisas mesmo de me acompanhar durante as próximas linhas.


  Esse animal sonoro habita na cidade Invicta, e tem como data de nascimento o ano de 2010. É ele “O Bisonte”, e enquadra-se como a solução perfeita para o exercício mental que inicialmente te propus. Esta banda de rock puro e duro (como manda a lei), caracteriza-se pela sua plena originalidade, pela ausência de complexos de querer soar a algo que não são (não tentam ser réplica de um banda na qual se inspiram, por exemplo), e acima de tudo por um instinto rockeiro e animalesco (fazendo jus ao próprio nome ) que se reflectem em poderosos instrumentos e agressivas (e bastante elaboradas) letras. Gualter Barros (bateria), Guilherme Lapa (baixo), João Carvalho (guitarra) e Davide Lobão (voz), são então os elementos que constroem este Bisonte alimentado a energia e capaz de despertar em cada um de nós esse instinto irracional que resulta numa perfeita comunhão entre a banda e quem os escuta.


  O Bisonte conta já com 2 LP’s editados, sendo o primeiro “Ala”(2011), e o mais recente “Mundos e Fundos” (2012), cujo conteúdo podes conferir aqui (e encomenda depois, eles merecem): . Mais recentemente, a banda espalhou a sua frenética energia no palco Vodafone FM em Paredes de Coura, tendo sido considerada por muitos dos que presenciaram a debandada (curiosamente, o nome de uma das músicas presentes em “Mundos e Fundos”) criada pelo Bisonte um dos melhores concertos do festival (e a quem poderia assentar melhor a expressão “animal de palco”?).


  O Bisonte começa então a bramir mais alto, e a fauna musical portuguesa fica mais rica com animais assim. 


                                      

26/08/2013

O Rapaz fala de: White Denim





Há por esse mundo fora inúmeras bandas e artistas de grande valor, que ainda não alcançaram todo o seu potencial, ou se o fizeram não lhes é dado o devido crédito e a merecida atenção.A esse grupo de talentos não reconhecidos, eu gosto de chamar “Subvalorizados de Alto Calibre”, e achei por bem dedicar-lhes um espaço dentro deste meu espaço. Conto também o teu contributo, caso desejes ver aqui músicos que consideres merecedores de mais atenção. Que se inicie então a parada de talento!

E a primeira banda que escolhi para te falar, é precisamente um dos casos mais gritantes de falta de reconhecimento que conheço. São eles os incríveis norte-americanos White Denim (http://whitedenimmusic.com/). Estes rapazes têm para explorar um conjunto de 5 agradáveis àlbunssendo que o que mais te aconselho o último destes: “D” (Álbum lançado em 2011 , sendo que no ano seguinte a banda o apresentou em Portugal numa espécie de showcase no Rock in Rio. Ao qual eu lamentavelmente não assisti.)

Ora bem, este quarteto originário do Texas (constituído por: James Petralli, Joshua Block, Steven Terebecki e Austin Jenkins. Ficava mal não os enumerar.), têm muito presentes na música que apresentam influências de gêneros musicais distintos (desde o rock psicadélico,passando pelo blues,o rock experimental, e lista poderia continuar) sendo por isso uma banda bastante difícil de classificar (soam bem para caraças, é assim que me apraz classificá-los agora). Aliada a esta agradável mixórdia de estilos musicais, os White Denim teimam em presentear-nos com canções peculiarmente construídas,com vozes harmoniosas, e sequências instrumentais que nos dão a sensação que os estamos a escutar directamente de uma sessão de Jam (bastante agradável, diga-se).Uma coisa é certa, o lema deles aparenta ser “Há sempre espaço para mais uma guitarra!” 

Para este ano, podes então esperar destes talentosos rapazes um novo àlbum (Coriscana Lemonade, sai lá para o final de Outubro se não me engano. Prometo falar-te dele assim que o tiver escutado.), o qual eu torço que funcione como um “boost” para a afirmação que tarda em acontecer (mas que podia perfeitamente ter acontecido com “D”). Confirmado está também, a participação do quarteto como banda suporte em dois concertos de duas enormes bandas da actualidade: Tame Impala e Flaming Lips (Pena que nenhum destes seja em Portugal!).  

Deixo-te então com uma das minhas canções preferidas da banda (e ao vivo, que é para sentires bem o poder destes meninos!). Ora toma lá, bom proveito!